Banco dos Réus.

 

 

1ª Parte.

 

 

1º Até que enfim boa notícia do advogado, depois de 2 anos de CDP meu julgamento foi marcado.

2º Pelo Conselho Nacional de Justiça, tinha que ter tido uma audiência em 90 dias.

3º Sem um golf no nome pra fazer permuta, fiquei refém da inoperância da defensoria pública.

4º Os 1200 reais pelo meu caso, não motivaram o porta de cadeia nomeado.

5º To num 121 de um cagueta que perdeu os olhos, sou inocente mais uma denúncia me envolveu no óbito.

6º Onde assinam 33 por dinheiro trocado, favelado é culpado até provado o contrário.

7º Chego no Fórum da Barra Funda quase inconsciente, pelas sessões de espancamento feita pelos agentes.

8º Propositalmente to de calça bege e algema, pra gerar no júri influência, tendência e a sentença.

9º Sento num banco na arena com 2 PM do lado, aqui sou material didático pra estagiário.

10º Vejo nos sete jurados com ar finlandês, o ódio de classes pulsante do ideário burguês.

11º Excluído não é ser humano num tribunal, é só a personificação de uma ficha criminal.

12º Não existe deusa justicia de olhos vendados, a minha chance é a de um Tutsi em Ruanda em 94.

 

 

2ª Parte.

 

 

1º Me sinto num ritual de evocação de espíritos, vejo Ted Bundy, Charles Maison, Andrei Chicatilo.

2º Zodíaco, Eddi Gein, Visili Komaroff e organizando a festa Pedro Alonzo Lopes.

3º A testemunha de acusação é forjada, o safado tá me entregando na delação premiada.

4º Sou outro dos 50 mil acusados de assassinato, que o MP ofereceu denuncia de sorriso estampado.

5º A Commoditie do mercado sem nenhum valor, que a partir de agora vai ser degolada pelo promotor.

6º Duas horas de veneno da língua peçonhenta, e já quero enforcá-lo com a corda da sua vestimenta.

7º Queria ver sua coragem e ar de superioridade, no alto do morro na conferência do debate.

8º Sem nenhum conhecimento sobre direito, cada jurado julga conforme seus preconceitos.

9º Me condenam pela condição de favelado, pelas passagens e feição comum do retrato falado.

10º O princípio do contraditório e da ampla defesa, não é direito dos que assombram a máfia burguesa.

11º A meta das novas Cortes de Pilatos, é sacrificar quem não pode comprar recurso milionário.

12º A má vontade na hora do defensor me fez entender, porque eles surgem enrolados em tapetes no Tietê.

 

 

3ª Parte.

 

 

1º O juiz que vê no Google Maps bolsão de miséria, não tem moral pra condenar um da favela.

2º Pelos 44% sem julgamento no sistema, os magistrados mereciam Guantanamo como pena.

3º O preso que esfaqueia o carcereiro na vesícula, é o que roubaram o direito da colônia agrícola.

4º Transformar vítima em algoz é tática do Depen, esse é um dado omitido pelo Infopen.

5º Se por milagre no final for absolvido, devia ficar com o nome limpo e ser ressarcido.

6º Não podia passar batida a distância da família, provocada pelos flagrantes forjados da polícia.

7º Os jurados vão pra sala secreta e voltam com o veredicto, sei que é decisão é unânime, to fodido.

8º Sem piedade culpado, sádico dosa o castigo, não se importa com a minha mulher na platéia assistindo.

9º Seu sofrimento é alimento pro cusão, que sentencia 25 de condenação.

10º Conseguiram mais uma senhora com droga moquiada, pro marido preso fazer moeda pra cesta básica.

11º Ampliaram a chance de C4 na Ataliba Leonel, mandar funcionário da SAP em pedaços pro céu.

12º O país que faz do judiciário instrumento de vingança, merece lágrimas por trás das lentes Dolce gabana.

 

Refrão:

 

     Pobre no banco dos réus é ração pro Estado, só um milagre evita meu nome no rol dos condenados.